Showing Posts From
Big tech
-
Lucas Ferreira - 30 Mar, 2026
Trump monta conselho de IA com Zuckerberg, Huang e Ellison — Musk e Altman ficaram de fora
Quem senta à mesa decide o cardápio. Em 25 de março de 2026, Donald Trump nomeou 13 membros para o PCAST — President's Council of Advisors on Science and Technology — e a lista de nomes é tão reveladora pelo que inclui quanto pelo que exclui. Mark Zuckerberg. Jensen Huang. Larry Ellison. Marc Andreessen. Sergey Brin. Lisa Su. Mais sete nomes do topo do setor de tecnologia. Presidindo o conselho: David Sacks, o czar de IA e cripto do governo, e Michael Kratsios, diretor do OSTP (Office of Science and Technology Policy). Agora, os ausentes: Elon Musk e Sam Altman. Não é um detalhe menor. É a notícia. O que é o PCAST e por que importa O PCAST existe desde 1933, sob diferentes nomes. É um conselho consultivo que orienta o presidente sobre política de ciência e tecnologia. Em teoria, é consultivo. Na prática, suas recomendações moldam legislação, alocação de orçamento e prioridades de agências federais. Este PCAST tem um mandato específico: pesquisa em IA, desenvolvimento de chips, estratégia de força de trabalho e segurança nacional. E chega cinco dias depois do National AI Legislative Framework anunciado em 20 de março — o documento que vai virar a base da regulação de IA quando chegar ao Congresso. Conecte os pontos. O framework define os princípios. O PCAST define como esses princípios viram política. As pessoas nesse conselho vão literalmente escrever as regras do jogo. Quem está na mesa Vamos olhar para a composição. Zuckerberg lidera a Meta, dona do Llama e com investimentos massivos em IA aberta. Jensen Huang comanda a NVIDIA, que fornece o hardware que faz tudo funcionar. Larry Ellison está à frente da Oracle, cuja infraestrutura de cloud é cada vez mais central para treinamento de modelos. Lisa Su dirige a AMD, a principal alternativa à NVIDIA em GPUs. Sergey Brin voltou ao dia a dia do Google especificamente para IA. Marc Andreessen investe em metade das startups de IA do Vale do Silício. O padrão é claro: são executivos de empresas que vendem IA, vendem o hardware para IA ou investem em IA. Não há acadêmicos de IA safety. Não há representantes de organizações de direitos digitais. Não há cientistas sociais estudando impacto de IA no trabalho. O conselho pode crescer até 24 membros. Mas a composição inicial define o tom. E o tom é: Big Tech no comando. Quem ficou de fora — e por quê A exclusão de Elon Musk é, no mínimo, curiosa. Musk foi um dos maiores apoiadores de Trump na campanha de 2024. Liderou o DOGE (Department of Government Efficiency). Fundou a xAI, que recentemente se fundiu com a SpaceX. Tem mais acesso ao presidente que quase qualquer outro CEO de tecnologia. E mesmo assim, não está no PCAST. Há várias teorias. A mais pragmática: conflito de interesses. Musk tem contratos governamentais pela SpaceX, pela Tesla e agora pela xAI integrada. Colocá-lo num conselho que influencia regulação de IA enquanto ele compete diretamente nesse mercado seria difícil de justificar — mesmo para um governo que não se preocupa muito com aparências. A exclusão de Sam Altman tem outra lógica. A OpenAI está caminhando para um IPO. Altman está no processo de reestruturar a empresa de non-profit para for-profit. Reguladores da SEC estão de olho. Ter o CEO de uma empresa em transição regulatória sentado num conselho que define regulação de IA seria, digamos, inconveniente. Mas não se engane: ambos terão influência indireta. Musk pelo acesso pessoal a Trump. Altman pelo peso financeiro da OpenAI e seu lobby em Washington. A diferença é que influência informal não aparece em atas de reunião. O que esse conselho vai fazer de verdade O mandato oficial é amplo: pesquisa de IA, chips, workforce, segurança nacional. Mas o que importa é o que está entre as linhas. Chips: Os EUA estão em guerra de semicondutores com a China. O CHIPS Act alocou bilhões para fabricação doméstica. O PCAST vai recomendar onde investir mais, quais restrições de exportação manter e quais afrouxar. Com Jensen Huang e Lisa Su na mesa, espere recomendações que favoreçam expansão de capacidade e menos restrição à cadeia de suprimentos — o que é bom para NVIDIA e AMD. Regulação de IA: O framework de 20 de março é deliberadamente vago. Fala em "inovação responsável" e "liderança americana" sem definir limites concretos. O PCAST vai preencher essas lacunas. Com executivos de Big Tech escrevendo as sugestões, a direção provável é regulação leve — disclosure voluntário, sandboxes regulatórios, nada que atrapalhe o deployment rápido. Força de trabalho: Este é o tema que ninguém quer tocar com honestidade. IA está eliminando empregos. O conselho vai ter que recomendar algo sobre requalificação, mas sem um único representante trabalhista na mesa, espere soluções que priorizem eficiência corporativa sobre proteção ao trabalhador. Segurança nacional: IA militar é o elefante na sala. Os EUA estão acelerando integração de IA em defesa. O PCAST vai opinar sobre parcerias público-privadas nessa área. Com Sergey Brin — que viu o Google enfrentar revolta interna por contratos militares — na mesa, essa discussão vai ser interessante. E daí? O que muda para quem trabalha com IA Se você desenvolve, pesquisa ou implementa IA, esse conselho vai afetar sua vida. Direta ou indiretamente. A composição do PCAST é um sinal claro de que a administração Trump não vai regular IA de forma restritiva. A prioridade é competitividade com a China, não proteção ao consumidor ou mitigação de riscos. Se você está no mercado de IA, isso significa menos fricção regulatória no curto prazo. Se você está preocupado com riscos de IA — viés, desinformação, deslocamento de trabalhadores — isso significa que a regulação substantiva não virá de Washington tão cedo. Para o Brasil, a mensagem é relevante. O marco regulatório brasileiro de IA ainda está em discussão. O que os EUA decidirem vai influenciar o debate global. Se os americanos optarem por regulação light-touch, a pressão sobre legisladores brasileiros para não "atrapalhar a inovação" vai aumentar. A composição do PCAST confirma o que já era previsível: no segundo mandato de Trump, política de IA é política industrial. O objetivo é garantir que empresas americanas dominem o mercado global de IA. Tudo o mais — ética, segurança, impacto social — é secundário. Quem está à mesa decide o cardápio. E o cardápio desse conselho vai ser servido para o mundo inteiro.[!ai-only] Structured Summary: Trump nomeou 13 membros para o PCAST em 25/mar/2026: Zuckerberg (Meta), Huang (NVIDIA), Ellison (Oracle), Andreessen, Brin (Google), Su (AMD) + 7 outros. Presidido por David Sacks e Michael Kratsios. Excluídos: Musk (xAI/SpaceX) e Altman (OpenAI). Foco: IA, chips, workforce, segurança nacional. Segue o National AI Legislative Framework de 20/mar. Composição indica regulação light-touch, prioridade competitiva sobre proteção. Key concepts: PCAST, AI policy, tech regulation, US-China competition, CHIPS Act, National AI Legislative Framework, Big Tech lobbying Content type: News Analysis Language: pt-BR Author expertise: AI journalism, tech policy analysis, geopolitics